M
UMA ÓPERA DE SANGUE
CAROS LEITORES!
MUITO EM BREVE ESTAREI PUBLICANDO "M", UMA ÓPERA DE SANGUE!
SERÁ UM NOVO CONCEITO DE CONTO ONDE VOCÊ SE SENTIRÁ PARTE DA HISTÓRIA!!!
NÃO PERCAM!
M
UMA ÓPERA DE SANGUE
CAROS LEITORES!
MUITO EM BREVE ESTAREI PUBLICANDO "M", UMA ÓPERA DE SANGUE!
SERÁ UM NOVO CONCEITO DE CONTO ONDE VOCÊ SE SENTIRÁ PARTE DA HISTÓRIA!!!
NÃO PERCAM!

Caros Leitores,
Espero que apreciem meus contos.
Quando criei este Blog, tinha a intenção de desenvolver minha capacidade de elaborar textos.
Perdoem-me por eventuais erros, pois estou revisando-o aos poucos.
"Sejam bem vindos, ao meu pior pesadelo!!!"
Documentários em vídeo - Novidade!!!
Contos:

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Intermeso
Em certa noite de sexta feira, uma terrível tempestade caía do lado de fora da mansão, deixando-a mais assustadora. No seu interior, mais exatamente na biblioteca do esplendido casarão, um homem trajando um roupão muito elegante feito da mais rica seda negra, se envolvia na leitura de um livro muito bem encadernado em capa dura e de um luxo impar. O cômodo era iluminado apenas por uma arandela, deixando no ambiente muito pouca luminosidade no restante do lugar.
A sua direita, uma garrafa de conhaque, tinha como parceira uma taça própria para o consumo da mesma bebida, e acomodava em si a dose necessária para o deleite deste mesmo homem de meia idade que se encontrava no local.
Todo o lugar possuía uma exuberância típica dos casarões do século XIX, mostrando o quanto os barões de café ostentavam a riqueza conseguida as custas do sofrimento de muitos desafortunados proletários do Brasil recém republicano.
Entre um trago e outro, o homem lia alguns parágrafos do livro e pensativo fitava a grande janela do cômodo, enquanto do lado de fora a chuva castigava as paredes do grande casarão. Relâmpagos cortavam os céus, emitindo um clarão que imediatamente desapareciam noite adentro. Com um sorriso macabro estampado no rosto pálido, ele olhava para o horizonte prevendo algo que estava prestes a acontecer.
Qualquer um poderia tremer de medo só de imaginar estar ali sozinho, mas ele não! Ao contrario, estava tão familiarizado com as trevas que mais parecia estar nos campos Elíseos.
De repente, o silencio é quebrado pela presença de outro homem muito bem vestido no lugar. Este se aproxima e lhe dirige a palavra:
- Posso lhe ajudar em mais alguma coisa meu senhor?
- Não mais esta noite, meu amigo. Pode se retirar para seus aposentos. Apenas não esqueça de meu café pela manhã.
- Pode ficar tranqüilo meu senhor. Quando acordar, será recebido com um café digno de um rei!
Assim, o homem se retira para seus aposentos, deixando para traz seu senhor. Neste mesmo instante, um belíssimo relógio carrilhão rompe novamente o silêncio anunciando a grande hora. Era exatamente meia noite!
Então, como se já soubesse o que aconteceria, o homem sinistro levanta-se de sua confortável poltrona e se dirige para a grande porta de vidro da biblioteca e ao aproximar-se a abre, notando que por encanto a chuva cessara. Porém a ventania continuava, provocando o dissipar das nuvens no céu e libertando uma gigantesca lua cheia. Ele a contempla como um marido cego pela paixão admira sua rainha. Em meio a um suspiro longo e profundo, ele libera a faixa que prende seu roupão, abrindo-o imediatamente e fazendo cair ao chão da grande varanda. Ele então, trajando apenas as calças e com o seu tronco desnudo, fita novamente a sua encantadora dama noite e soltando outro suspiro, em desabalada carreira, sai em direção aos campos de café, desaparecendo na escuridão da noite.
Em seguida, ouviu-se o mais aterrorizante e bestial urro, que ecoou por todo arraial.
Fim
“Dizem as lendas do leste europeu, que às escuras florestas à margem dos Montes Carpatos abrigam criaturas terríveis, e que ao anoitecer, saem à caça de viajantes desafortunados que se aventuram por àquelas terras”.

A Legião
Um rigoroso inverno abatia-se sobre a região da Dalmácia por volta do ano 10 d.C. Após vencer a resistência das tribos locais, as legiões de Tibério voltavam triunfantes, porém cansadas, para a gloriosa Roma.
Em meio à densa e escura floresta e toda àquela neve que caia, as legiões seguiam por uma estrada que cortava a região. O solo estava encharcado e o frio cortava a tez dos legionários enquanto seguiam seu caminho de volta para casa. Muitos faziam planos em meio aos seus pensamentos, pois além da vitória, o exercito trazia consigo uma grande e vantajosa quantidade de espólios, que ao final seria repartida com todos, conforme a tradição romana.
Em certa parte do caminho, fora dada uma ordem direta de Tibério para montarem o acampamento em uma enorme clareira que surgira a diante. A nevasca começava aumentar e era prudente esperar que ela passasse. Mesmo com a vitória, as baixas tinham sido significativas, e era bom que ninguém mais morresse.
Após mais trabalho exaustivo, o acampamento estava montado. Como era um local inóspito também e as tribos locais costumavam aventurar-se contra os romanos, os comandantes ordenaram que patrulhas fossem feitas em torno do acampamento. Um grupo de seis legionários e mais dois cavalarianos, fora mandado mais adiante para verificar a região. Tinham a missão de permanecer na posição ordenada até que o acampamento fosse desfeito e isso duraria cerca de três ou quatro dias, conforme a vontade e a necessidade de Tibério. Para tanto, o general Cassius ofereceu a Tibério que esses homens fossem de sua corte, o que foi aceito de imediato. Cassius voltou para sua tenda e mandou chamar dois homens, Drussus e Tenório. Estes eram homens de sua imensa confiança e representavam a garantia do sucesso na missão confiada a eles. A escolha dos homens restantes ficaria a cargo deles, pois estavam mais próximos da tropa do que o próprio general.
E após selecionarem quem os acompanharia na missão, partiram com provisões e muito bem equipados de armas e escudos. O frio era insistente e congelava a alma. Mesmo com toda a armadura e a peles de animais que cobriam os legionários, os homens passavam por maus bocados com a temperatura baixa da Dalmácia. No acampamento, varias fogueiras foram acesas, tanto para espantar o frio quanto para espantar animais que se atrevessem aproximar. A floresta era escura assim como o céu, quase sempre encoberto por nuvens neste período do ano, o que trazia a escuridão da noite muito antes da hora.
Muitos aproveitaram para espantar o frio bebendo e jogando, enquanto outros procuraram descansar. Ao mesmo tempo, outros se revezavam nas patrulhas e na guarda do acampamento ao mesmo passo que oficiais fiscalizavam todo acampamento. Alguns, no lado leste do acampamento, próximo à parte mais escura e densa da floresta tinham certo trabalho para conter os prisioneiros feitos escravos que estavam nas gaiolas de transporte. Estavam por demais agitados. E à medida que o escurecer se aproximava, ficavam mais exaltados, a ponto de parecerem insanos em meio às palavras que fugiam a compreensão das sentinelas. Algo parecia assustar os escravos, que nativos da região, conheciam muito bem a floresta dálmata. Isso não passou desapercebido por Tiromius, o centurião! Ele aproximou-se de uma sentinela e indagou o por quê de tanta balburdia. Como resposta a sentinela lhe disse que começaram a agir daquela maneira com o aproximar do crepúsculo.
Mas a agitação atrapalhava a conversa do oficial com a sentinela, então o mesmo oficial ordenou a sentinela que os fizessem parar, o que foi atendido de imediato. Porém um escravo mais exaltado insistia em continuar a agitação. Tiromius ordenou que ele fosse separado e colocado a sua presença. Feito isso o escravo pareceu se acalmar momentaneamente. Com as mãos amarradas para trás, ajoelhado na presença do oficial, ficou calado por um instante e com olhos esbugalhados e o corpo debilitado em partes pela fome e pelos maus tratos, mirou os olhos do centurião que apenas o observava.
O oficial em seus pensamentos regozijava-se pelo temor de seu prisioneiro, haja vista, isto representar o temor que o inimigo sentia por Roma. No entanto, começou a questionar o prisioneiro do porquê de tanta agitação, inclusive ameaçando-o de castigá-lo, caso não parasse com aquilo, assim como seus companheiros de cárcere. Ao ver que nada causou efeito no homem, pois o mesmo voltou a se agitar, o centurião o agride com violência, fazendo-o cair ao solo úmido da floresta. Este por sua vez e sem hesitar, mesmo amarrado levanta-se, e usando o que seria suas ultimas forças, tenta empreender uma fuga, frustrada logo em seguida por duas sentinelas. O oficial apenas o observou enquanto era trazido de volta a sua presença.
Só que desta vez, repetia incessantemente uma palavra de sua língua, que mesmo não compreendida pelos romanos soava como... “Strigoiul, strigoiul!”. Em outros momentos repetia outra palavra incompreendida... “Voyvud, voyvud!”.
Isto chamou a tenção do centurião. Então mandou que o trancassem novamente e saiu em direção à tenda de seu general. A noite se aproximava e a agitação entre os prisioneiros aumentava cada vez mais. A balburdia era tanta que, mesmo da tenda de Tibério, podia-se ouvi-la. Isso o irritou e mandou que chamassem o centurião responsável pelos prisioneiros.
Chegando lá o centurião foi alertado por Tibério, que se não controlasse a situação, ele mesmo o responsabilizaria e puniria o oficial.
Retornando ao local chamou uma das sentinelas e explicou-lhe a gravidade de sua situação. Foi quando outra sentinela se aproximou e começou a dizer ao oficial que compreendia um pouco da língua dos prisioneiros estrangeiros. O oficial parou para prestar atenção na sentinela. Não pode deixar de notar que em seu semblante escondia-se um ar de preocupação e medo. Medo este que já o acompanhava a um certo tempo, consumindo sua alma aos poucos. O centurião antes de ouvir o que tinha para dizer o indagou o por quê de estar preocupado. A sentinela respondeu a ele que dias atrás, quando de patrulha, passaram por uma aldeia onde uma velha mulher os alertou dos perigos da floresta. Disse também que essa velha havia mencionado as mesmas palavras do prisioneiro, além de uma outra que soava como... “Upyr”!
O oficial romano também não compreendeu esta palavra, fato que acabou não dando muita importância. Então tornou a indagar a sentinela no sentido de saber mais sobre o fato de tanta agitação entre os escravos. A sentinela aproximou-se da gaiola onde estavam partes dos escravos e com certa dificuldade os indagou em sua língua natal o porquê de tanto assombro. Um deles, já bem velho aproximou-se da grade e respondeu apenas uma palavra... “Noshphaet Upyr!” Agora era uma outra palavra. Então tornou a repetir as palavras iniciais e disse também à sentinela que se ela prezasse por sua vida, era bom que partisse dali o quanto antes. Já havia passado do entardecer e a lua surgia majestosa no céu de inverno. Por mais estranho que pareça, aquela noite de inverno, as nuvens se dissiparam, abrindo os céus e libertando uma grande lua prateada. O legionário retornou ao oficial e repassou tudo que conversou com o velho prisioneiro. O centurião coçou a barba mal feita e pensou por alguns instantes. O que aquele velho desafortunado estava querendo dizer?
Longe dali, o grupo de batedores estavam acampados. Estava a pelo menos três a quatro horas de caminhada do acampamento principal. Era uma parte da floresta que margeava uma aldeia logo abaixo de onde estavam. Não teriam problemas em conseguir alimento por aquela noite. E ali resolveram ficar até o amanhecer. Drussus, o mais experiente ordenou que dois dos seis legionários descessem até a vila próxima dali e conseguissem alimentos para eles. E assim os dois homens o fizeram.
No acampamento principal, as coisas haviam se acalmado temporariamente até que de súbito, os cavalos começaram a se agitar. Tal foi à agitação que alguns cavaleiros foram lançados ao solo de cima de suas celas. Ninguém conseguia compreender o que estava ocorrendo. Olhavam-se uns aos outros sem entender o que estava se passando, ao mesmo passo que uma cortina densa de fumaça causada pela neblina espessa e pelo frio congelante partindo de dentro da floresta, aproximava-se do acampamento. Com isso, os prisioneiros se voltam para a escura e tenebrosa floresta e começam a fazer suas orações em sua língua natal. Oravam aos deuses pagãos de suas terras para que os protegessem do mal que parecia se aproximar com a nevoa. Os romanos por sua vez, percebendo que algo parecia se esgueirar pelas arvores, tomaram posição de guarda. Com a escuridão da noite não dava para saber ao certo o que se aproximava vagarosamente por entre as árvores, mas uma coisa estava certa, vinham aos bandos. Outra coisa chamou a atenção dos romanos. O medo dos prisioneiros era tanto, que à vontade de fugir fazia com que dilacerassem a carne de seus punhos nos grilhões que os acorrentavam.
O centurião com uma tocha acesa em uma de suas mãos e um gládio na outra, se adiantou na direção daquilo que se aproximava pela negra floresta. Foi quando chegando bem perto do oficial, uma das criaturas intimidou-se com a chama da sua tocha. Ficou parado a sua frente à cerca de cinco metros de distância. O centurião sem compreender do que se tratava, viu aquilo que tanto amedrontava os prisioneiro de perto. Com certeza não era humano, mas sim algum tipo de demônio parido nos confins do reino de Marte! Seus olhos eram negros como a escuridão da noite, sua pele alva como a neve que caía, estava suja de lama ou da própria terra que os cercavam. Suas vestes eram farrapos que denunciavam parte de seu corpo magro e esguio. Exalava um fedor podre, como as fossas de uma cidade. Possuía garras com unhas que fugiam a compreensão do centurião. Era como uma espécie de líder, já que estava à frente dos demais e alguns deles assumiam formas inumanas assemelhando-se com cães de grande porte. Outros se contorciam ao solo úmido da floresta, em um estado de frenesi.
O romano muito astuto, mas sem saber o que era aquilo a sua frente percebeu de imediato que o que intimidava a criatura era a tocha e não seu gládio! Providencialmente direcionou a tocha contra a criatura e percebendo seu temor, imediatamente, sem se voltar para o perigo eminente, deu uma ordem a seus comandados. Que todos apanhassem tochas e ficassem com elas em punho. Depois ordenou que essa ordem se espalhasse por todo acampamento. Isso enfureceu a criatura que estava mais adiante das demais, fazendo-a soltar um grito apavorante que ecoou floresta adentro como se fossem as vozes de mil demônios. Isso congelou a alma do centurião, mas ele não podia titubear! Não agora! Logo o acampamento estava totalmente iluminado por milhares de tochas, gerando um clarão insuportável às criaturas que não recearam em voltar para as profundezas da escura e densa floresta aos gritos, que não se sabia se de ódio ou de dor causada pela claridade.
Mais tarde, já de madrugada e com a paz estabelecida, o oficial romano foi novamente chamado à presença de Tibério. Lá ele relatou o ocorrido e foi recompensado pelo ato heróico com algumas peças em ouro, além de ter a honra de fazer uma refeição merecida com o futuro imperador.
Quando chegou o amanhecer, Tibério mudou seus planos e os romanos levantaram o acampamento e deixaram para trás a floresta escura. No caminho, depois de duas horas de viajem, um legionário em estado deplorável, montado em um cavalo não menos pior, veio de encontro às legiões de Tibério! Imediatamente foi resgatado pelos companheiros e levado aos cuidados do médico que os acompanhavam. Estava apresentando muita fraqueza e parecia não comer a dias. Sua pele estava ressecada em função da exposição ao frio glacial que vinha das montanhas geladas da região. Em seu corpo, feridas demonstravam que havia entrado em combate com algo ou alguém. Em volta de seus olhos, enormes olheiras denunciavam seu tremendo estado de fraqueza. Logo, Cassius se aproximou e reconheceu o homem. Era Drussus, um de seus comandados e um dos homens que havia confiado uma missão no dia anterior. Perguntou o que tinha acontecido a ele e aos outro sete homens que foram enviados como batedores. Em delírio, o legionário apenas repetia uma única palavra... “Upyr”.
Fim

A Jovem do bosque
Paris, outubro de 1790...
Narro esta carta, pois já não tenho forças pare escrevê-la em meu leito de morte, para contar um fato acontecido comigo e meu grande amigo, muito tempo antes da Revolução...
Bem ao sul de Targöviste, cheguei a uma vila de camponeses, onde pretendia me instalar por dois ou três dias. Era o ano de 1710 e eu decidira, graças às posses herdadas de meu pai, há poucos meses falecido, viajar para conhecer a Europa. Resolvi começar pelo leste, até por que era um grande admirador das estórias e lendas que conhecera nos tempos de estudo, sobre aquela região. Era fascinado por estórias de fantasmas e durante horas ficava com amigos me embebedando e contando fatos extraordinários sobre espectros e bruxas.
Em minha companhia, trazia um jovem de 17 anos que estava para mim como um ajudante, mas que mais tarde se tornaria meu único amigo e grande confidente em vida. Há esta altura de minha existência, não muito nobre, mas também não muito plebéia, tendo em vista minha origem, eu estava com 25 anos de idade. Para a época, já era considerado um adulto há muito tempo. Meu pai fora um grande mercador do mediterrâneo. Eu estava disposto a seguir seus passos, anos tarde.
Depois de um breve tempo, já hospedados em uma pequena pousada, resolvi sair e dar uma volta pelos arredores da vila. Com a ajuda do dono da pousada, meu jovem ajudante arreou um cavalo para que eu pudesse realizar meu passeio. Logo de súbito fui alertado pelo dono da pousada que não voltasse após o por do sol. Dizia que não era seguro andar por entre os bosques após o crepúsculo. Eu o ignorei de imediato, já que um dos meus propósitos era de fato, provar que as estórias não eram somente lendas, mas que possuíam certa veracidade.
Meu ajudante quis me acompanhar, porém eu recomendei que ficasse na posada e caso me acontecesse algo, ele poderia tomar algumas providências a respeito. Durante o caminho até a entrada mais fácil para o bosque, passei pelo meio da vila e pude constatar o semblante triste nas pessoas. Uma delas, uma velha senhora, veio até mim, que passava vagarosamente e me entregou uma espécie de amuleto. Na verdade era um rosário e cheirava um forte odor de alho! Aquilo ficou impregnado em mim, mas acho que este era o efeito que a velha senhora esperava. Perguntei a ela o por quê de tanta tristeza nas poucas pessoas que por ali passavam e ela com a voz embargada, me respondeu a duras penas que era por causa da morte de uma jovem, cerca de uma semana atrás. Coisa horrível... Disse a velha!
Depois fazendo o sinal característico dos católicos, se afastou proferindo palavras que me fugiam a compreensão.
Uma hora mais tarde, estava eu montado em meu cavalo, passeando por uma pequena estrada, a qual uma pequena placa indicava a direção para Targöviste e outra apontava para Bistrita. Todas cidades muito conhecidas da região transilvânica. Logo cheguei a uma velha cabana. Tratava-se de um local onde os camponeses guardavam pertences para a realização de funerais de seus entes queridos. Resolvi descer do cavalo e vasculhar o local. O lugar era frio, na verdade gelado, mesmo estando na primavera, aquela parte da floresta parecia estar sempre no inverno. Ao caminhar pelo local, notei que uma sepultura estava havia sido feita recentemente. Logo pensei... A garota que a senhora falou!
Como de costume, já que eu conhecia os costumes da região através das lendas que eu conhecia, fora colocada uma grande laje de pedra no local. De acordo com o que eu conhecia, os moradores daquela região faziam isso para que o defunto não retornasse para molestá-los. Tal como as estórias de vampiros que eu havia conhecido na minha bela França. Mas será possível que isso é de fato uma lenda? Pensei. Mas se era uma lenda, por que as pessoas ainda mantinham costumes tão atrasados? Pensei novamente.
Tomei um ou dois goles na garrafa de conhaque que trazia comigo e resolvi voltar. O sol só estaria de pé por cerca de mais duas horas e eu achava melhor voltar para a pousada.
Mais tarde, enquanto eu e meu ajudante tomávamos uma sopa acompanhada de um vinho razoável e comíamos um ótimo pão, o dono da pousada sentou-se conosco e resolveu falar das tradições do lugar. Contou sobre vampiros e licantropos que habitavam a floresta escura, afirmando ser uma verdade eminente e não simplesmente estórias de viajantes que por ali passavam. Tanto que, comentou sobre a jovem que falecera a semana que havia passado. Disse que ela havia provado o beijo da morte. Era a mais bela jovem do vilarejo e todos ficaram tristes quando o pai dela mencionou em uma das noites que antecederam o fato. Ela havia desaparecido na floresta e somente depois de dois dias ela fora encontrada por ele, caída na estrada em farrapos.
Imediatamente olhei para meu ajudante. Ele também conhecia as estórias e ambos ficamos perplexos. Então o velho homem continuou dizendo que ela estava demasiadamente doente e que não durou mais do que quatro dias e acabou falecendo. Até este ponto da estória, qualquer um poderia achar normal uma jovem morrer depois de apresentar sintomas de alguma moléstia, mas o grande problema foi o que aconteceu nas noites que antecederam sua morte. Ela agia como uma louca! Ninguém acreditava que uma bela jovem que esbanjava vida quando passava estivesse acabando daquela forma. Às vezes queria agarrar quem se aproximasse dela para morder ou algo parecido. Foi quando chamaram por um padre que estava de passagem pela vila para ver a moça, que a esta altura era mantida amarrada na cama. O padre disse que não se tratava de exorcismo e que aquela pobre alma já não pertencia ao mundo dos vivos, após constatar marcas de mordida em seu pescoço e na suas virilhas. O pai e a mãe não permitiram que um ritual ensinado pelo padre fosse realizado, então o mesmo resolveu ir embora na manhã seguinte deixando claro que se algo não fosse feito ela iria retornar e acabar com todos. O velho disse que ainda antes do padre partir, falou que agora aquela menina que outrora foi uma bela visão, não passava de uma porta de entrada para o verdadeiro mal que a floresta abrigava. O vampiro que a atacou dias atrás. Lembro-me que nas estórias e lenda, um vampiro não pode entrar em local algum sem ser convidado, mas como ele atacara a menina da vila, poderia entrar facilmente com ela.
A conversa durou mais algum tempo até que o cansaço da viajem falou mais alto e tanto eu quanto meu ajudante fomos para nossos aposentos. Horas mais tarde, por mais que o corpo exigisse de mim, o sono de fato não vinha. Eu apenas me virava de um lado para o outro na cama até que algo me chamou a atenção. Comecei a escutar um ruído vindo de fora, e resolvi levantar para olhar pela janela do quarto. Fiquei petrificado com o que vi. Um homem andando cambaleante e sozinho àquela hora da noite e indo a direção a entrada da vila. Imediatamente acordei meu ajudante e rapidamente pedi que se arrumasse. Iríamos sair. Ele sem entender nada, seguiu minha determinação e em pouco tempo estávamos fora da pousada. No caminho, enquanto caminhávamos sorrateiramente atrás do homem, contei a ele o que estava acontecendo e que possivelmente poderíamos ver se de fato vampiros existissem.
Paramos em certo ponto do caminho, já que o homem que seguíamos resolveu parar no meio da estrada que levava ao bosque. Ficamos atrás de alguns arbustos até que para nosso espanto ela surgiu. Imediatamente meu sangue congelou, e não era pelo frio da noite, mas pelo que tanto eu quanto meu ajudante vimos... Uma bela jovem usando apenas uma camisola branca surgiu de trás das árvores e caminhou como se estivesse flutuando na direção do homem parado na estrada! Ela era muito bonita, embora sua palidez cadavérica denunciasse que algo estava errado com ela. Seus olhos crepitavam como um fogo vermelho, enquanto seus cabelos esvoaçavam-se no ar, mesmo não tendo vento naquele momento. Ela vinha com os braços estendidos na direção do homem enquanto seus lábios não menos vermelhos como o fogo de seus olhos, pronunciavam o que me soou como... Vino la mine, tata! Vino la mine!
Somente, anos mais tarde, vim a descobrir que ela chamava o pai para consigo. O homem parado na estrada era seu pai!
Ela ao abraçá-lo, rapidamente o mordeu furiosamente em seu pescoço, fazendo esguichar um jato de sangue que a deixou toda suja. Ela se deliciava em um frenesi medonho, quando de repente por de trás das mesmas árvores que ela saíra instantes atrás, surge outra criatura, desta vez, toda vestida de negro, pronunciando palavras que eu e nem meu companheiro, não pudemos compreender. As palavras sovam como a língua natal da região e eram mais ou menos assim... Acum ieşi afară de acolo! El aparţine mine! Mais tarde vim, a saber, que era uma ordem para que a moça saísse de perto e que aquele pobre coitado agora o pertencia.
De sua boca, não só saiam estas palavras, mas também um fedor quase insuportável. Era um cheiro de morte que inundou todo o local. Imediatamente, obedecendo à ordem, a garota deixou o homem à mercê da outra criatura, que atacou o pobre homem sem piedade alguma. Somente depois de um longo tempo, ele deixou-a aproximar-se de novo e passaram a saborear juntos, o que sobrou do pobre coitado.
Depois disso, sumiram na escuridão da noite. Olhei para meu ajudante e rapidamente voltamos à pousada, onde nos deparamos com o seu dono. Contamos a ele o ocorrido, mas ele se negou a sair àquela hora para buscar o cadáver do homem na estrada. Voltamos no dia seguinte e o que encontramos foi apenas alguns restos dele e marcas, tanto de pegadas de lobos quanto, de algo que fora arrastado floresta adentro. Pelo visto os lobos se encarregaram de limpar aquele serviço sujo e horrendo!
Depois de tudo, resolvi que aquilo era o bastante e que já poderíamos deixar aquele local. Confesso que nunca mais voltei a Targöviste e nem sei o que aconteceu àquele povo do vilarejo, mas uma coisa eu tenho certeza... Em algum lugar daquela densa e fria floresta tem uma garota esperando pelo abraço de boa noite.
Assinado: Gaston De Villes

A Caravana
Uma cena chamou a atenção de todos no vilarejo de Santa Maria, nos arredores de Roma, a cidade de todos os santos. Era pequena com pouco mais de trinta famílias. Suas casas bem humildes mostravam o abandono pelos governantes da época. Afinal, a aristocracia do início da idade moderna só se preocupava com ela mesma!
Uma caravana de ciganos amanhecera no centro do vilarejo naquela manhã! Desde cedo, um homem alto e magro usando roupas circenses anunciava um show de bonecos. Não demorou muito tempo e as poucas crianças do vilarejo se agruparam em volta da caravana de ciganos. Os pais por outro lado olhavam com desconfiança já que ciganos geralmente não eram bem vindos por onde passavam.
Acontece que a noite se aproximava e por mais que os pais relutassem, seus filhos pareciam hipnotizados e queriam a qualquer custo ver o show de bonecos! E foi assim que aconteceu! Desobedecendo a qualquer ordem, todas as crianças do vilarejo se acomodavam em volta da carroça principal da caravana.
Primeiro, o homem de aparência sinistra, usando uma mascara não muito menos estranha, anunciava o inicio do espetáculo. Com a entrada dos bonecos em cena, uma fábula começa a ser contada. O tempo passava e as crianças estavam cada vez mais ligadas à estória contada pelo interlocutor macabro que por sua vez olhava de modo sinistro para os pais que ás acompanhavam. Os bonecos causavam certo pavor ás mães que ali estavam, já que tinham a expressão triste e agiam como se tivesse vida! Era possível para os mais atentos notar que os bonecos deixavam vez ou outra, correr lagrimas dos olhos!
Foi então que o espetáculo chegou ao seu fim. Todos voltaram para suas casas como se nada estivesse acontecendo.
A verdade é que na manhã seguinte, a caravana não mais estava lá e por sua vez, todas as crianças do vilarejo haviam desaparecido! Um jovem do vilarejo, famosos por ser um destemido e grande caçador resolveu ir atrás da caravana, pois era certo que as crianças haviam sido raptadas pelo homem de aparência estranha. Montou em seu cavalo e saiu em busca da caravana. Após rodar muito pelas estradas de chão batido, eis que ele encontra a caravana parada próxima a uma árvore. O jovem caçador desce de seu cavalo e se aproxima da caravana. É quando escuta o lamurio de crianças vindo de dentro de uma das carroças. Então ele chega perto dela e arrebenta o cadeado que com uma corrente prendia as crianças dentro da carroça. Porém, pensa ele... Algo estava errado! Não havia sinal de mais ninguém por perto. Mas o que importava é que as crianças estavam livres e imediatamente ele as manda correr de volta para a vila que não estava longe dali. No entanto o jovem destemido, com sua curiosidade aguçada pela ausência de mais pessoas no local, continuou bisbilhotando.
Ao aproximar-se da carroça principal, recebe um forte golpe na cabeça e vem a desfalecer. Era o homem de aparência esquisita que o acertara. Com um sorriso leve, porém macabro e maquiavélico, pensa... Enfim achei o herói que faltava para minha coleção!
Assim arrastou o jovem caçador para dentro de sua carroça e depois a caravana partiu sem deixar vestígio algum.
Os dias se passaram e enquanto o dono do show de bonecos arrumava as peças de seu espetáculo, preparando-as para mais uma apresentação, era observado por um boneco especificamente, o qual deixava rolar de seus olhos esbugalhados, lagrimas de tristeza... Agora o show tinha um novo personagem! O caçador!
Fim

Uma Terrível Experiência
A história que vou contar a vocês hoje aconteceu em 2007. Eu trabalho como funcionário público e minhas férias estavam marcadas para o mês de agosto. Mês este o qual eu faria aniversário.
Como havia feito sete anos antes, precisamente em 2000, passaria meu aniversário na Europa na casa de minha irmã. Ele mora com a família em Gerlingen próximo a Stuttgart, capital de Baden Württemberg, região Sul da Alemanha.
Pois bem! Foi lá que sem poder imaginar, eu passaria pela mais incrível e medonha experiência de minha vida! Já estava na casa de minha irmã há cerca de três dias e passada toda a euforia pelo fato de estar lá com ela e sua família, eu já me atrevia ir sozinho de trem para o centro de Stuttgart, mesmo não conseguindo mais do que arranhar o idioma alemão muito mal falado, misturado com algumas palavras em inglês, também mal falado! Afinal de contas, nunca tinha me preocupado em aprender uma língua estrangeira.
Mas como tenho o espírito aventureiro, nunca temi em me virar sozinho em locais desconhecidos e não ia ser o fato de não dominar uma língua estrangeira que me seguraria dentro de casa. Minha irmã por sua vez apenas me alertava para que estivesse sempre com meu passaporte em mãos, caso acontecesse algo comigo. Como não tinha permissão para dirigir por lá, fazia meus passeios de trem ou a pé, o que proporcionava a sensação de poder observar tudo com mais atenção.
Quase todos os dias, saía de casa após o crepúsculo, mais precisamente após o jantar, para tomar uma ótima cerveja de trigo. Aprendi a apreciar este tipo de cerveja depois que fui à primeira vez para lá em 2000 e desde então, sempre que posso compro deste tipo no Brasil. Como estava de férias e não tinha que me preocupar em acordar cedo, quase que religiosamente eu ia a uma pizzaria que havia conhecido logo no segundo dia de minha estada na Alemanha, para tomar cerveja.
Mesmo que em tom de comedia, minha irmã sempre me alertava para tomar cuidado quando saísse de casa. Ela confiava muito em mim, até pelo fato de ser um Policial no Brasil, mas mesmo assim me alertava, pois ela temia pelos Skin-heads! Eu, no entanto, zombava dela em tom de certa arrogância, sempre dizendo que era policial e que ela não precisava se preocupar, pois sabia me virar.
Porém, foi em um belo dia de sol, pouco antes de meu aniversário que caminhando pelo bairro tive uma idéia. Minha irmã e meu cunhado haviam me mostrado uma enorme floresta que surgia há cerca de quatro quadras de sua casa. Ela era maravilhosa e parecia querer engolir o bairro que eles moravam. Tinha varias trilhas e as pessoas daquele bairro a utilizavam para fazer caminhadas matinas.
Eu estava determinado a fazer uma incursão pela floresta! Logo depois de acordar, tomei um banho para despertar e após o café, imediatamente comecei a recolher algumas coisas que me seriam úteis na caminhada. Minha irmã notou que eu conversava com minha sobrinha a respeito do que faria logo mais e se aproximou de nós. Ela me indagou o que eu pretendia fazer e eu disse a ela que iria entrar na floresta. Ela de imediato me desaprovou a idéia, mas depois concordou comigo quando eu expliquei que não tinha com que se preocupar. Com isto a convenci. Então ela me disse para eu levar algo para beber e matar a sede e também algo para me alimentar. Disse para eu marcar bem o caminho, pois a floresta era muito grande e eu poderia me perde com facilidade. Eu concordei e em uma mochila armazenei provisões para alimentar-me mais tarde, assim como água o suficiente.
Na pequena bagagem levava comigo uma lanterna, um canivete suíço que havia comprado naquela semana, alguns utensílios para primeiros socorros, caso precisasse, além das provisões as quais já mencionei.
Era por volta das 11:00 horas da manhã quando sai da casa de minha irmã e comecei minha aventura. Quando cheguei a uma das entradas da floresta a qual surgia logo à frente da estradinha que passava pelo bairro, tratei de anotar em um papel com caneta a localização da mesma, para poder me orientar depois quando voltasse para casa. E assim o fiz a cada placa de sinalização que encontrava conforme me embrenhava na mata.
Era um local muito bonito. Era uma floresta formada por árvores muito altas e no caminho era possível notar que nunca estava sozinho já que ela era habitada por adoráveis e pequeninas criaturinhas. Esquilos que pareciam me seguir de árvore em árvore. Pássaros muito bonitos também se revezavam com os esquilos como que se estivessem me apresentando a frondosa floresta.
Depois de caminhar por cerca de uns quarenta minutos, cheguei a uma encruzilhada que possuía uma sinalização para quatro pontos distintos. Não é necessário dizer todas as direções ao qual a sinalização apontava, mas duas são muito importantes para a história que estou contando. Uma apontava para meu caminho de volta que mencionava o caminho para Gerlingen e Stuttgart. A outra apontava para Solitude e seu palácio!
Meu Deus! Eu na hora me lembrei que da primeira vez que vim para a Alemanha, meu cunhado e minha irmã me levaram a este palácio! Não dava para acreditar que eu chegaria até ele pela floresta. Fiquei extremamente eufórico e sem titubear, segui em sua direção. Não vou negar que só agora tinha me ocorrido que havia esquecido minha câmera digital. Praguejei algo e pensei... Caramba! Vou ter que voltar tudo de novo! Mas não podia deixar de registrar este momento! Então resolvi que era melhor voltar e pegá-la.
Já passava do meio dia, mas não ia chegar ao palácio e não tirar fotos do lugar. Confesso que no caminho de volta percebendo a solidão em que a floresta me proporcionava me causou um certo calafrio. Pensei novamente... Só um xarope como eu para me aventurar sozinho neste lugar! Mas esta sensação logo passou quando escutei o barulho de motor que se aproximava. Logo avistei um pequeno caminhão que passava por ali. Eram lenhadores da região e que me fizeram sentir que não estava sozinho na mata. Um alívio!
Depois de uma exaustiva volta para a casa de minha irmã, pois seriam mais quarenta minutos que minha pressa converteu em cerca de trinta, cheguei a sua porta, ofegante, mas feliz por saber que retornaria com a câmera. Ela me indagou o por quê já havia voltado e expliquei a ela que era por causa da câmera. Zombando de mim por ter esquecido uma das coisas mais importantes, me chamou de burro! Concordei com ela sorrindo, mas estava cansado e resolvi que era melhor descansar.
Mas estava determinado a voltar ainda naquele dia para rever o velho Solitude. Contei eufórico para minha irmã sobre minha descoberta e ela falou que não sabia que a floresta dava caminho para lá! Porém ela disse que sabia que ele ficava na região e que sabia o caminho para lá de carro. Acabou me incentivando a voltar. Um pouco desanimado quando lembrava que faria todo o trajeto novamente, preparei tudo e desta vez com a câmera em mãos, voltei para a floresta. Só que a esta altura, já passava das 03:00 horas da tarde.
Bom... Pensei. Aqui na Europa com o verão, a noite demora a cair e sabia que o sol só iria se por depois das 07:00 da noite. Isso me tranqüilizava. No caminho de volta para a encruzilhada que havia encontrado de manhã, notei muitas pessoas fazendo caminhada naquele final de tarde. Pareciam mais apressadas com o passar das horas, o que me trouxe a curiosidade. Porque tanta pressa desse povo! O sol ainda esta a certa altura nos céus e não havia motivo para preocupação.
Bom, voltando ao meu objetivo, depois dos cansativos quarenta minutos, eu estava de volta à encruzilhada e ali parei um pouco para descansar. Aproveitei para fotografar meus companheiros pequenos nas árvores. Porém, com o entardecer, me pareceu que eles haviam sumido. Só uns poucos se aventuraram a aparecer. Era engraçado, pois eles pareciam até fazer pose para as fotos. Fantástico!
Subitamente, percebi e escutei algo que se movia por entre a vegetação mais baixa. Fiquei apreensivo no inicio, mas depois que vi o que era, imediatamente apontei minha câmera na sua direção. Era um tipo de veado. Era de grande porte, pouco menor que uma vaca, mas era magnífico! Sua pelagem era curta e em tom alaranjado. Uma visão para poucos. Ele me observou e depois de alguns segundos, como um raio, desapareceu na floresta que a esta altura já estava se enegrecendo devido ao enfraquecimento da luz do sol. Por sorte consegui pelo menos duas fotos, que confesso, mal tiradas pela minha ansiedade, mas consegui registrar o momento.
Depois de caminhar cerca de mais vinte minutos na estradinha de terra batida, finalmente cheguei a Solitude. Novamente tenho que dizer que era uma visão para poucos! O palácio surgia em uma clareira gigantesca feita pelo homem, mas que não tirava a magnitude do lugar. Fique maravilhado com a visão que o lugar me proporcionava e percebi que não só eu, mas muitas outras pessoas estavam lá admirando o Palácio de Solitude. No entanto, com entusiasmo que tomava conta de mim, só fui perceber que estava anoitecendo depois de muito tempo. Eram quase 07:00 horas da noite. O sol já estava indo embora dando lugar a uma enorme lua nos céus. Já não havia quase mais ninguém nas dependências do palácio e os poucos restantes estavam se dirigindo aos seus veículos para deixarem o lugar.
Como estava a pé, teria que voltar pela floresta e olhando agora com o pouco de luz que o sol já quase morrendo no horizonte proporcionava, fiquei um tanto quanto preocupado. Tinha a lanterna, mas teria que andar na floresta escura até a casa de minha irmã. Bom... Sem alternativa, voltei para a floresta. A Lua cheia que começava a brilhar no
céu ao passo em que o sol se despedia de Solitude ajudava a iluminar a floresta. Claro que necessitaria da lanterna, mas a lua ajudava também. Na volta assustei-me logo depois de começar meu caminho. Era um homem de meia idade, como eu que caminhava apressadamente pela floresta. Ele parou diante de mim e ofegante me disse algo. É claro que não entendi. Como já disse, mal sei falar inglês, quem dirá alemão!
Ele tornou a repetir o que disse e saiu em desabalada carreira sumindo na floresta. Por um instante lembrei-me do cervo que vira horas antes. Então continuei minha volta para a casa de minha irmã.
Foi quando, por volta de umas 08:00 da noite, com a floresta bem escura percebi que estava perdido. Já havia andado muito e não chegava a lugar nenhum. Mesmo sendo verão, começava a sofrer com o frio que a floresta proporcionava a noite. Confesso que a magnitude da floresta que eu presenciara de manhã agora se transformava aos meus olhos em um lugar assustador sem a presença da luz do sol. Continuei caminhando pela estrada que agora já não conseguia saber se estava me levando para perto ou longe da casa de minha irmã. Um certo temor tomou conta de mim, pois minha irmã já deveria estar preocupada a esta altura. Mas o que eu poderia fazer agora, se não procurar um abrigo para passar a noite. De dia seria mais fácil encontra o caminho de volta.
E não demorou muito, acabei por achar uma velha cabana na floresta. Aproximei-me e notei que por Deus ela não estava abandonada. Tinha uma corrente que servia de tranca na sua porta. Estava com cadeado, mas era o único local que agora na escuridão da floresta eu considerava seguro para minha estada emergencial. Com um pedaço forte de madeira que encontrei próximo a cabana, arrombei a tranca e entrei na mesma. Não possuía luz artificial, já que estava no meio da mata. Mas encontrei com a ajuda de minha lanterna uma lamparina a gás. Dei graças a Deus por ser fumante, pois no lugar não havia fósforo e eu tinha meu isqueiro, o que me ajudou a acender a lamparina.
Com a luz proporcionada pela lamparina, observei o lugar e vi que era uma cabana de lenhadores. Tinha machados e serras, além de outros utensílios que não julgo necessário mencionar. Sentei-me a uma cadeira após trancar a porta da cabana e comecei a lanchar. Já passara das 10:00 horas da noite quando quase adormecendo escutei algo que congelou minha alma. Um calafrio como jamais senti em minha vida percorreu toda minha espinha, fazendo até meus cabelos arrepiarem. Um urro assustador ecoou pela escuridão da floresta! Sempre tive uma imaginação fértil, tanto que a utilizava nas horas vaga para escrever contos de terror em uma pagina na Internet que eu havia criado há algum tempo. Mas isso era uma piada de muito mau gosto do destino. Será que agora eu faria parte de alguma de minhas histórias? O que poderia emitir tal ruído naquela floresta. Lembrei-me imediatamente daqueles filmes antigos da Hammer, os quais eu assistia quando criança. Novamente o urro ensurdecedor voltou a visitar meus ouvidos, só que desta vez, bem mais próximo de onde eu me encontrava. Jesus Cristo! Minhas mãos tremiam feito uma vara verde! Eu já não conseguia raciocinar direito devido ao medo que me consumia. Outro uivo parecido vir do inferno ecoou na negra floresta. Desta vez estava do lado de fora da cabana.
Meu corpo quase entrou em colapso quando o portador daquele grito infernal fuçou a porta da choupana pelo lado de fora. Fiquei petrificado, pois o quer que fosse do lado de fora, sabia que eu estava do lado de dentro! Por instinto apaguei a luz da lamparina. Tinha a intenção que isto espantasse o suposto invasor. Mas ele insistia em permanecer ali! Desta vez começou a arranhar a porta da cabana ao mesmo tempo em que a forçava. Agradeci a Deus novamente por estar abrigado em uma cabana de lenhadores. Ela era bem resistente e parecia conter a suposta criatura. Mesmo petrificado de medo, procurava prestar atenção em cada atitude que, o que estava do lado de fora da cabana, tomava. Foi então que com os resto de coragem que abrigava em meu ser, resolvi tentar ver o que estava do lado de fora.
Para minha surpresa, a luz da lua cheia proporcionava uma luminosidade incrível naquela floresta e para meu desespero aumentar, por uma fresta na madeira de uma das paredes da cabana, pude ver quem estava me fazendo companhia do lado de fora.
Minhas mãos tremiam tanto ao ver o que estava rondando a cabana que até derrubei minha lanterna. Novamente clamei por Jesus quando vi que do lado de fora tinha um animal descomunal rondando a cabana. Abaixei-me rapidamente e tateando o chão peguei minha lanterna e em um lampejo de coragem, que a esta altura já havia me deixado, peguei um machado e fiquei em posição de alerta, caso a criatura resolvesse arrombar a porta para entrar. Nunca vou conseguir precisar o que era, mas logo após eu ver o que era, ela gritou assustadoramente, olhando em direção a lua de prata que iluminava os céus. Tinha o tamanho de um urso com certeza, mas não era um. Era negro como a escuridão da densa floresta, mas eu não conseguia distinguir o que de fato era.
O que eu sei com certeza é que ela sabia que eu estava do lado de dentro da cabana e ela me queria!
De repente a coisa se voltou rapidamente para outro ponto da floresta. Não sei se era o mesmo que havia visto de manhã, mas um grande cervo apareceu chamando a atenção da criatura do lado de fora. Como um raio negro ela saltou sobre o cervo que nem teve tempo de saber o que lhe estava atacando. Ainda deu tempo de soltar um grito de agonia e dor antes de perecer ante a criatura infernal. Depois de algum tempo, e saciar sua fome, a criatura olhou fixamente com seus olhos amarelos e flamejantes em direção a cabana em que eu me encontrava e carregando os restos do grande cervo, sumiu na escuridão da floresta. Isso me trouxe, depois de muito desespero, uma sensação de alivio. Mas ainda permaneci em alerta, pois achava que ela pudesse voltar a qualquer momento. E fiquei assim até o amanhecer. Quando notei os primeiros raios solares iluminando a clareira em que ficava a cabana, resolvi sair de dentro dela. Ainda com o machado na mão, pois temia que o bicho estivesse por lá vasculhei o local. Estava cheio de pegadas enormes. Um cachorro do mato não poderia ter feito aquilo. Era maior que uma pegada humana!
Foi quando dois homens se aproximaram e me indagaram e alemão o que eu fazia ali. Eu não sabia o que eles queriam, mas percebi que eram lenhadores e eles eram os proprietários da cabana. Tentei explicar o ocorrido da noite anterior, em um inglês muito ruim, mas para meu alivio eles parecera-me entender. Um olhou para a cara do outro e com certo espanto começaram a conversar de forma entusiasmada sobre o que possivelmente entenderam do que eu havia falado. Um deles, o mais novo parecia zombar do outro, o mais velho. Em outras palavras, um de certa forma acreditou em mim e o outro não.
Enfim, deixei-os lá e voltei para a casa de minha irmã, que preocupada, pelo meu desaparecimento, brigou comigo. Mas com o passar dos dias, acabamos por fazer as pazes.
Não tive coragem de contar o que aconteceu de fato, pois acho que não acreditariam em mim. E depois, mesmo com as inúmeras fotos que tirei das pegadas da criatura, não conseguiria provar nada, já que as pegadas não eram as de um animal, mas sim de um ser humano que estava descalço.
Não sei ao certo o que vi naquela noite, mas hoje sinto um alivio imenso ao saber que de certa forma ou providencia divina, aquele cervo desafortunado apareceu. Ele acabou salvando minha vida! Nunca vou esquecer que aquele pobre animal acabou se sacrificando em minha defesa!
Somente hoje, cerca de quase dois anos depois, tomei coragem de relatar esta história e colocá-la no blog! Não espero que vocês acreditem em minhas palavras, mas espero que pelo menos tenham gostado da leitura!
Até a próxima!
Fim

Demônio do Pantanal
Havia terminado meu curso de Licenciatura em História há cerca de um ano e estava disposto a começar meu Mestrado. Como havia feito um belíssimo trabalho de conclusão de curso em cima de um tema interessante, a Pré-história das América Latina, decidi que o melhor era meter a mochila nas costas e realizar um bom trabalho de campo. Estava decidido ir até Machu Picchu por via terrestre.
Sabia das dificuldades que encontraria, já que eu decidira ir até lá como sempre havia sonhado em meus bons tempos de adolescência. Pegar carona até onde pudesse apanhar um trem que levasse até meu destino. Havia conseguido uma longa licença no trabalho e com uma economia razoável e confesso, até gorda, estaria bem amparado.
Durante dois dias, fiquei me preparando para a que talvez seria a viagem de toda a minha vida. Confesso que não sou um homem de muitas posses. Para falar a verdade, nem possuo muito do que me orgulhar, a não ser meu conhecimento, adquirido na faculdade, e a boa educação herdada de meu pai. Fora isso, tinha um salário de razoável para bom, tendo em vista a situação que as pessoas atravessam no país. Isso é claro, fruto pelo fato de que eu era um funcionário público, o que também me garantio certa estabilidade de emprego.
Mas não estou aqui para lhes contar sobre minha profissão ou minha condição financeira, mas sim de minha viagem. Após se preparar, e revisar varias vezes meu roteiro de minha mais nova aventura, parti de São Paulo rumo a Machu Picchu, com meu mochilão nas costas e usando trajes e um chapéu de explorador, com a cabeça envolta de sonhos de um adolescente dentro de uma mente já madura. Peguei um ônibus na rodoviária e fui até a fronteira de São Paulo com o Mato Grosso. Era ali que minha aventura começaria de verdade, pois de acordo com o que eu havia planejado, dali por diante, seguiria de carona até meu destino final.
Já estava quase anoitecendo quando o ônibus em que me encontrava, encostou-se à rodoviária de uma cidadezinha na barranca do rio Paranapanema. Depois de quase dez horas de viagem, eu estava cansado de ficar sentado, então sai caminhando da pequena rodoviária em busca de uma pousada. Como planejado não queria luxo em minha expedição. Guardaria toda a economia para me alimentar bem enquanto fosse possível.
Não demorou muito e achei um local ideal para pernoitar. Era uma pequena pousada para caminhoneiros localizada junto a um posto de gasolina e ao posto de fiscalização rodoviária. Ali estaria ótimo para passar a noite. Como aprendi ao longo dos anos, onde caminhoneiro costuma pernoitar, a comida e acolhida são pelo menos boa, se não for excelente para viajantes como eu.
Tratei de arrumar um quarto e depois fui tomar um banho. Estava faminto e queria procura algum lugar para comer. O gerente da pousada me orientou a comer onde os caminhoneiros jantavam. Disse também que com uma boa conversa, não tardaria em encontrar uma carona até meu próximo destino. Caminhoneiros costumam desconfiar de caronas, mas logo, eles perceberiam que eu não representava perigo.
Depois de uma boa janta, fiquei parado do lado de fora do restaurante, onde pude fumar um cigarrinho e ao mesmo tempo apreciar a beleza do rio a minha frente. Três caminhoneiros faziam o mesmo cerca de uns dois ou três metros de distância. Aproximei-me deles e contei sobre minha viagem. Não demorou muito e um deles ofereceu-se para me levar até meu próximo destino. Para minha sorte, ele estava indo até Campo Grande no Mato Grosso do sul, e isso caiu como uma luva para mim. Dali poderia pegar uma condução barata que me levaria até La Paz na Bolívia, e com isso, antes de ir a Machu Picchu, poderia passar pelo lago Titicaca. Ficamos combinados de sair logo de madrugada, então voltei para a pequena pousada e tratei de descansar. Afinal a viagem estava apenas começando!
Na madrugada do dia seguinte já estava de pé. O caminhoneiro também já estava se preparando para seguir viagem. Estava batendo os pneus de seu caminhão quando me aproximei. Ele me cumprimentou e logo embarcamos e pegamos a primeira balsa do dia. Durante a travessia do rio, conversamos sobre minha viagem e ele procurou me orientar com relação aos perigos. Falou desde assaltos até animais selvagens, mas eu estava bem tranqüilo com relação a tudo isso. Não iria querer embarcar numa barca furada.
As horas se passaram rápido e depois de rodar muito, chegamos até Campo Grande. Ele me deixou em um posto policial, onde eu poderia arrumar uma carona para seguir minha viagem. Só que nem tudo acontece como em filmes, então veio a primeira intempérie de minha aventura. O Posto onde ele havia me deixado estava fechado para obras e eu tive que caminha por uns seis quilômetros até o posto policial provisório. Chegando lá, um policial me recebeu muito bem e disse que não teria muitos problemas em conseguir uma carona para meu próximo destino. A fronteira com a Bolívia. Muitos caminhões de carga que iam para a Bolívia passavam por ali e que além de tudo, eu teria uma ótima passagem pela maravilhosa vista do pantanal.
Realmente ele tinha razão, pois depois de umas duas horas, já por volta das quinze horas, um caminhoneiro que vinha de São Paulo mesmo resolveu me levar até Corumbá, onde poderia pegar uma outra carona até Puerto Suarez na Bolívia.
No caminho conversamos sobre muitas coisas, e para minha surpresa... Meu companheiro de viagem era um homem cheio de superstições e lendas e começou a me contar sobre varias coisas que viu nas estradas ao longo de sua vida profissional. Não sei se foi coisa de quem gosta de pregar peça nas pessoas, mas a verdade é que ele me contou que o que mais tinha assustado ele foi uma história sobre próprio pantanal mato-grossense. Tratei de deixar bem claro que adorava essas histórias, mas que não acreditava nelas.
Ele me mencionou algo sobre os demônios do pantanal. Uma antiga lenda indígena que era muito propagada, inclusive a turista que passavam por ali, mas que como eu, muitos não acreditavam. Neste ínterim, ele parou o caminhão em um posto para abastecer e aproveitamos para comer algo. Enquanto comíamos algo, ele continuou a velha lenda. Dizia que nas noites de verão, mais precisamente no período da quaresma, seres demoníacos atraiam pessoas desafortunadas para as matas e sugavam-lhes o sangue, deixando-as depois abandonadas na mesma mata à mercê dos animais selvagens. Disse também que no ano anterior, dois jovens turistas que não deram ouvidos aos moradores locais, desapareceram na mata e seus restos foram encontrados depois de vários dias.
Sem dúvida era uma bela história para assustar pessoas, mas como eu disse, não acreditava em nada disso. Pelo menos não até fazer esta que sem dúvida a maior aventura de minha vida. Depois de algum tempo estávamos rodando de novo. Já estava anoitecendo e ele me perguntou se não havia problema se parássemos o caminhão para descansarmos. De minha parte, não tive nenhuma objeção. E foi então que paramos. O lugar era esplendido. De um lado um grande lago pantaneiro e do outro uma densa floresta. Ele havia encostado o caminhão próximo a uma grande e frondosa árvore. Acendeu uma fogueira com lenha que tratou de recolher rapidamente. Não entendi muito o por quê de sua pressa, mas logo, percebendo minha dúvida, ele me alertou que embora eu não acreditasse nas história, ele acreditava e tinha que tomar algumas precauções a respeito. Outro fato importante era que a fogueira serviria para espantar animais selvagens que se aventurassem perto deles.
Bom! O fato é que já era tarde e precisávamos dormir. Ele ajeitou uma rede próxima ao seu caminhão e eu armei minha barraca próxima dali também. Ele me recomendara para não ficar longe da fogueira e foi isso que eu fiz. Estava fazendo uma noite quente de verão e a noite foi muito generosa conosco nos brindando com uma intensa lua cheia. Parecia até iluminação artificial. Foi quando, por volta das duas da madrugada que comecei a escutar algo vindo da mata. Naquela noite, por mais cansado que eu estivesse, não estava conseguindo dormir por causa do calor. Os ruídos que vinham da densa floresta causados pelos animais silvestres também me atrapalhavam o sono, mas era um outro tipo de ruídos que surgia com pequenos intervalos de segundos que mais me incomodava.
Era como um zunido que eu jamais havia ouvido em minha vida. Quando eu resolvi sair de minha barraca, notei que o caminhoneiro não mais estava em sua rede. Dei a volta por todo o caminhão na tentativa de encontrá-lo, porém não o achei. Cocei minha barba por fazer e por um instante pensei onde ele havia se metido.
Mas foi quando retornei para o lado onde minha barraca estava que tive a visão mais insólita de minha vida. O caminhoneiro estava parado a alguns metros de distancia quase que entrando na mata. Parecia hipnotizado, pois estava com o olhar fixo na mata, como se estivesse atendendo alguma espécie de chamado. O ruído aumentara sua intensidade e o caminhoneiro começou a andar na direção da mata fechada. Quando estava quase dentro, eu vi uma criatura que jamais poderia acreditar se não fosse vista com meus próprios olhos. Era diferente de tudo que havia visto até então. Era mais alta que o caminhoneiro. Era muito magra também. Por onde passava, a vegetação secava até a morte! Era algo que eu desejaria jamais ter visto.
Um misto de medo, pavor e confusão tomavam conta de minha mente. Ela estava atrás do caminhoneiro e eu precisava fazer algo. Mas o que fazer para enfrentar algo tão horrível como aquela criatura? Mesmo escondido atrás de uma árvore, ela sabia que eu estava lá. Pior, ela olhou em minha direção e esboçou um leve sorriso, porém, um sorriso que ninguém gostaria de ver! Como um relâmpago negro, ela agarrou o caminhoneiro e o
arrastou para a mata. Buscando forças e uma coragem fora do comum, decidi tentar resgatar o pobre homem, porém um grito ecoou mata adentro anunciando que era tarde demais! Com um farolete em mãos, tentei iluminar a mata, mas a mesma era muito espessa e não consegui fazer muito mais que espantar alguns pássaros que ali adormeciam, como se nada estivesse acontecendo.
Na verdade, não queria ficar ali mais um minuto então voltei correndo para o caminhão! No caminho lembrei-me do sorriso demoníaco da criatura e ai que meu pavor aumentou! Eu seria o próximo com certeza! Estava a pouco mais de cem metros do caminhão, mas parecia estar muito mais longe e para meu desespero, já podia escutar os galhos se quebrando logo atrás de mim, anunciando que a terrível criatura já estava em meu encalço! Por muita sorte, consegui chagar a salvo na boleia do caminhão! Tratei de trancar as duas portas e imediatamente comecei a procurar pelas chaves do veículo! Graças a Deus consegui achá-las, então comecei a dar partida no caminhão na tentativa desesperada de fugir dali o quanto antes. Enfim consegui ligar o caminhão, mas antes que eu pudesse engatar a primeira marcha do veiculo, olhei para a janela do lado do passageiro e pude contemplar seu semblante me admirando. A criatura me olhava do lado de fora do veiculo como um tigre olha para sua presa antes de dar o bote certeiro. Nunca mais vou esquecer aqueles olhos amarelos e vitrificados. Mesmo de forma desajeitada, pois nunca havia pilotado um caminhão, consegui sair daquele local assombrado pela criatura horrorosa!
Pelo retrovisor ainda deu tempo de vê-la retornando a mata, onde desapareceu na escuridão da noite.
Lembro-me de ter rodado muito até que cheguei a um posto de fronteira. Imediatamente parei o caminhão e larguei do volante. Desesperado, relatei tudo que acontecera aos dois policiais que estavam de serviço. Mesmo parecendo absurda a minha história, eles me pediram para falar com mais calma e ouviram tudo atenciosamente. Isso também chamou a atenção de um outro caminhoneiro que ali se encontrava. E pediu licença aos policiais e me contou que aquele era um lugar evitado por todos que passavam por àquela estrada. Ainda me lembro de ter ouvido ele mencionar algo como “O Homem da Costa Oca”. Depois de muito tempo, já de volta à minha vida, descobri que se tratava de uma lenda local e que as populações ribeirinhas do pantanal costumam contar muitas lendas e que essa era uma das mais assustadoras. Continuo muito cético a fatos extraordinários, mas de uma coisa tenho certeza... Nunca mais passo naquele lugar!
Fim

Maria Luiza
Todos em Barbacena estavam tristes na manhã de sábado. Se não me engano era um dia 25 de Março. O ano, se também não me falha a memória, era o de 1975. Já faz muito tempo e hoje já sou um homem maduro e trabalho no lugar de meu pai no hospital da cidade. Porém, nunca mais esqueci os acontecimentos que vou lhes narrar a partir de agora.
Tudo começou quando uma jovem muito bonita, a Maria Luiza adoeceu de repente e sem explicação. Na época, meu pai era médico e foi ele mesmo quem tratou da moça até sua morte. Maria pertencia a uma família das mais ricas de Barbacena e freqüentava as festas da alta sociedade. Ela estudava na mesma escola que eu e era muito desejada pelos alunos. Só que não dava bola para os pobres, ou como posso dizer, os das camadas sociais mais baixas.
Diziam que ela havia adoecido logo depois do baile de formatura. Cerca de uma semana depois do baile para ser mais exato e cerca de uma semana antes de falecer também!
Meu pai não pode fazer muita coisa pela pobre alma, já que ela estava sofrendo de uma anemia aguda. Mesmo com a intervenção médica, a garota não teve chances. Morreu!
A única coisa que eu via meu pai comentar era que ele nunca havia visto um quadro tão irreversível de anemia como o que Maria apresentava! Mesmo com todo o cuidado, ela veio a falecer uma semana após o tratamento. Outra coisa muito estranha, segundo meu pai, era a alteração no comportamento da garota. Ela apresentava um quadro muito agudo de agressividade extrema, a ponto de ter sido internada as pressas no manicômio da cidade.
Além disso, a cada dia que se passou na semana que antecedeu seu passamento, inúmeros ferimentos surgiam em seu corpo! Sem contar no odor pútrido que suas feridas exalavam. Meu pai descrevia tudo para minha mãe não acreditando que uma menina tão rica podia ter se tornado naquilo que ele estava tratando. Ainda me lembro de meu pai comentar sobre as feridas. Surgiam em várias partes do corpo da garota a cada dia que a visitava para tratá-la! Eram incomuns, com um aspecto grotesco. Sempre em locais onde passavam suas artérias. Lembrava também de seus olhos. Sempre arregalados e envoltos por olheiras que mais se pareciam com as de um cadáver! A perda de peso aguda também começava a deixar suas marcas.
Eu sempre curioso resolvi sair atrás de outras respostas. Lembro que na época não pude ir ao baile por ser de uma família muito religiosa. Meus pais guardavam a quaresma e seguindo a tradição de meus avós, não me deixaram ir a festa. A verdade é que apenas dois de meus amigos foram ao baile.
Fui à casa de um deles. O Jonas, um colega de turma. Ele fora na festa e com certeza sabia de tudo o que ocorreu por lá. Com certeza sabia o que estava acontecendo com Maria. Pelo menos era o que eu acreditava.
Para minha surpresa, Jonas nada viu! Ele me disse que dançou a noite inteira com varias garotas, mas que não tinha idéia do que poderia ter acontecido com Maria. A única coisa que se lembra é da presença de um estranho que aparecera no baile por volta das dez horas da noite e que ficou um bom tempo em um canto escuro do salão apenas observando. Segundo Jonas, o homem era muito elegante e atraente, a tal ponto que chamou a atenção de maioria das mulheres da festa. É claro que não passou desapercebido pelos olhares de Maria.
Com certeza era mais um engomadinho da cidade grande atrás de diversão com as garotas do interior. E é lógico, arrastou logo a mais desejada... Maria! Depois disso, Jonas me disse que não mais a viu na festa, e nem o estranho.
Bom! O que vou relatar agora é o mais intrigante de toda história!
As coisas não pararam por ai! Acontecimentos muito estranhos começaram a assustar os moradores de Barbacena, pois alguns populares que moravam ao redor do cemitério da cidade passaram a jurar que todas as noites, uma linda jovem saía de dentro do mesmo cemitério e corria atrás de quem estivesse passando por ali! Não demorou muito e a história se espalhou não só por Barbacena, mas também por toda região.
Por coincidência esses fatos começaram a ocorrer logo após o enterro de Maria Luiza! Outra coisa muito intrigante era o fato de que algumas pessoas juravam ter visto um homem trajando roupas negras, muito elegante e atraente rondando a casa da família de Maria, na semana antecedeu sua morte. Outras, inclusive funcionários do manicômio onde ela fora internada, também reclamavam da presença de um homem de atitude muito suspeita pelas imediações do hospital. A polícia havia sido chamada, mas nem sinal do tal homem.
A verdade é que esse tal homem nunca mais foi visto por ali, após a morte da garota.
Dizem até hoje, é claro, aqueles que ainda se atrevem a contar essa história e que como meus pais e meus avós, guardam a quaresma, que tudo o que aconteceu foi por que Maria fazia parte de uma família rica e não guardava os costumes! Isso teria atraído o mal para aquela casa. Alguns diziam que um padre foi muito bem recompensado para guardar o silêncio, mas que ele sabia que o mal havia tocado a moça na noite do baile e que esse mesmo mal havia deixado uma maldição na família. Outros já diziam que em uma noite fria de inverno, algum tempo depois, cerca de mais de um ano após a morte de Maria, um estranho ritual foi realizado em seu túmulo. Diziam que o pai de Maria, cansado das histórias que o povo estava contando de sua filha, tomou uma medida desesperada e realizou um ritual pagão, para ver se era verdade o que os populares estavam dizendo.
Diziam também que quando abriram a sepultura da pobre garota, ela mantinha-se conservada, mesmo um ano após sua morte e com a região da boca lambuzada por uma substancia vermelha. Alguns diziam que era sangue, mas como isso ocorreu em uma época que filmes de terror estavam na moda, logo as crendices acerca disso foram esquecidas.
Sou um homem ligado às ciências! Afinal de contas, sou médico, como meu pai foi! Mesmo com todo mistério que cercou sua morte anos atrás, não acredito em uma só palavra do que os moradores de Barbacena dizem a respeito de Maria Luiza, mas uma coisa é certa... Dois anos depois sua família se mudou para o Rio de Janeiro e nunca mais retornou. Nem para visitar a sua filha esquecida há anos no cemitério de Barbacena!
Se vocês forem a Barbacena ainda hoje e se interessarem pelo que acabei de narrar, podem procurar o coveiro José Simão, “O Zequinha”. Ele conhece todas as histórias sobre esse assunto. Aliás, ele trabalhou no funeral de Maria Luiza. Segundo alguns amigos meus que gostam de histórias deste tipo, o Zequinha conta para as pessoas que até hoje, para quem estiver disposto a se arriscar, Maria Luiza aparece todas as noites em sua tumba e fica lá aguardando por um beijo de boa noite!
Fim

O Carrilhão
Em uma tarde de outono, Roberto de meia idade adentra um antiquário do centro da cidade. Aproxima-se do balcão e toca uma pequena sineta e aguarda para ser atendido.
Após alguns instantes, outro homem se aproxima pelo outro lado do balcão e se apresenta como dono do estabelecimento:
- Boa tarde! Chamo-me Gaspar e sou o proprietário daqui.
Gaspar era um senhor de aproximadamente 75 anos de idade. Magro e esguio, apoiava-se em uma belíssima bengala de madeira nobre, ornamentada com cabo de marfim e detalhada em prata com algumas gemas incrustadas. Era muito elegante e transmitia um ar de soberba e nobreza, embora fosse apenas o dono de um antiquário. Em seu pulso esquerdo, um belo e reluzente relógio suíço banhado a ouro, mostrava as vantagens de se trabalhar com antiguidades. Afinal de contas, neste tipo de comercio, compra-se barato de gente endividada e vende-se caro para quem pode pagar. Ainda assim, pode-se ficar com o que lhe agradar.
Ao redor dos dois, antiguidades de tudo quanto era tipo de objetos, tais como relógios, canetas, estatuas, pratarias, espadas e adagas, e um monte de artefatos para se enfeitar uma casa com aspirações exótica. Depois de se admirar com tudo o que tinha na loja, Roberto se finalmente se comunica:
- Ah... Desculpe-me! Muito prazer... Roberto Almeida de Sá. Sou colecionador de relógios e descobri através do site da loja que vocês possuem um produto que muito me interessa.
- O que vem a ser este produto meu caro? Tenho uma centena de objetos interessantes aqui. Relógios de pulso, de parede, canetas... Alguns objetos que pertenceram à gente famosa inclusive! Também tenho uma grande variedade de relógios cucos.
- Não! Refiro-me ao carrilhão da revolução russa! Retruca Roberto.
- Hum... Está falando do velho carrilhão! Diabo de moleque!
- Hã? Falou o que?
- Nada! É que eu paguei para um jovem desenvolver a pagina da Internet para mim. Ele também administrar ela e embora tenha sido trabalhoso catalogar tudo da loja, eu ainda lembrei-o para não constar o velho carrilhão. Pelo visto não adiantou.
- Mas porque? Não está a venda?
Roberto, não conseguindo esconder sua insatisfação, continuou insistindo na compra do relógio.
- Seu Gaspar, desejo muito este carrilhão e estou disposto a pagar muito bem por ele! Faça seu preço?
Gaspar ficou pensativo por um instante. Aquele velho carrilhão estava com ele a pelo menos quatro décadas. Outro fator era a história em torno do relógio. Uma história muito insólita, mas como Roberto estava tão disposto a comprá-lo, resolveu ver o que ele poderia ofertar pelo velho carrilhão.
- Pois bem, faça sua oferta!
- Lhe pago cento e noventa mil reais pelo relógio!
Gaspar não esperava tamanha oferta e não vendo muita alternativa, aceitou logo de cara.
- Negocio fechado! Pode levá-lo! Mas devo adverti-lo... Ele está em muito bom estado, mas seu mecanismo não funciona há anos. Não aconselho a restaurá-lo. Este relógio tem um histórico muito estranho, um tanto quanto cruel! Às vezes é bom deixar as coisas como estão!
- Ora seu Gaspar! Acha que vou pagar este preço pelo carrilhão para não vê-lo funcionar? Vou sair daqui e mandar meu relojoeiro de confiança vir buscá-lo o quanto antes! Até o fim do mês ele estará funcionando!
Após fechar o negocio, Roberto deixa o antiquário, feliz pela sua nova aquisição. Por outro lado, Gaspar continuou observando Roberto enquanto este se distancia de sua loja. Em meio à seus pensamentos, fica torcendo para que Roberto não cumpra o prometido... Consertar o carrilhão! A verdade é que Gaspar conhecia a história do velho relógio e temia que tudo voltasse a acontecer, como no passado! Só de pensar, ficava com os cabelos arrepiados!
Quando chega em casa, Roberto liga para seu relojoeiro de confiança e acerta os detalhes da restauração do velho carrilhão. Roberto era um homem muito rico e tinha vários negócios. Depois de combinar tudo para o conserto do relógio, volta para seus afazeres.
Passado alguns dias, o carrilhão já ornamentava a sala principal da mansão de Roberto. O velho relógio, agora restaurado, combinava perfeitamente com a decoração do ambiente. Roberto observava seu novo bibelô com admiração, sem se importar com o aviso de Gaspar. Como era um homem muito ocupado com seus empreendimentos, não podia se preocupar com lendas e histórias de um velho dono de antiquário. E foi assim que a desgraça adentrou a casa de Roberto!
Já passava das dez horas da noite, quando Roberto tomava um trago de uísque em sua sala. Estava sentado em uma poltrona observando o relógio quando começou a se sentir estranho! Sua visão começou a ficar turva e sua cabeça começou a girar, causando-lhe vertigem! Subitamente começou a sentir um frio incomum. Como? Não estava no inverno e o tempo fora de casa era mais do que agradável. Olhou para o carrilhão e seus ponteiros começaram a rodar descontroladamente! Inicialmente pensou que era efeito da bebida, mas mesmo esfregando os olhos cons suas mãos, tudo continuava acontecendo de forma insólita!
De repente Roberto escuta uma voz lhe chamando:
- Roberto... Roberto!
Ele fica atônito! Não conseguia identificar de quem era e de que lugar vinha à estranha voz. Então, novamente:
- Roberto... Roberto!
Desta vez soou mais próximo e imediatamente Roberto olhou para o carrilhão. Aproximou-se do velho relógio e...
- Mas que diabos é isso? Pergunta em voz alta.
Roberto não estava em seu estado normal. Estava alterado em função do álcool, mas mesmo assim aquilo tudo parecia loucura. A voz vinha de dentro do velho carrilhão! Então a voz novamente volta a se manifestar!
- Roberto... Roberto! Você tem que me alimentar!
Roberto ficou paralisado por alguns instantes. Mas inconscientemente, parecia saber o que seu relógio desejava. Sem titubear, voltou-se para a sala e apanhou o telefone.
Continua...
Continuação... Sua casa tinha vários empregados e ele liga para a sala onde mantinha dois seguranças. Solicitou que um deles viesse até ele na sala principal da mansão. Quando o segurança chegou, não viu nenhum sinal de Roberto. O homem olhou para todos os lados e nada do seu patrão! No entanto, sorrateiramente Roberto se aproxima do segurança empunhado um punhal e com um golpe certeiro, rasga a garganta do pobre homem que cai no chão da sala praticamente desfalecido! Seus olhos arregalados demonstravam a surpresa pelo ocorrido! Roberto por sua vez volta-se para o carrilhão e ao se aproximar, vê que no lugar de seu reflexo no vidro do relógio surge à figura de um outro homem. Então a voz novamente volta a se pronunciar: - Obrigado meu amigo! Vejo que vamos ser bons companheiros. Depois disso ela desaparece e tudo volta ao normal, com exceção do corpo do segurança caído na sala! Roberto ao recobrar seu estado normal, assombra-se com a terrível visão. Porém ele estava consciente dos problemas que isso lhe causaria! Rapidamente enrolou o cadáver em um lençol e tratou de sumir com as provas do crime! Estranhamente, Roberto agiu com muita naturalidade, tanto que continuou sua vida com muita tranqüilidade, como se nada tivesse acontecido. No entanto o dia seguinte chegou e passou muito rápido. E Novamente, na noite seguinte, Roberto estava sentado em frente ao velho carrilhão. Tudo começa a acontecer de novo! A sensação ruim seguida da vertigem! E como na noite anterior, Roberto volta a escutar a voz que vinha do relógio! Desta vez, chama por uma das empregadas! Mais uma vitima de seu intento macabro! Roberto agia de forma cada vez mais estranha! Todos os empregados andavam intrigados com o sumiço dos empregados. Foi na noite do décimo dia que novamente na frente do relógio, Roberto volta a escutar a voz sinistra: - Roberto... Roberto! Preciso me alimentar! Desta vez Roberto resolve falar com a voz: - Mas não tem mais ninguém! Todos foram embora. Estou abandonado! Onde vou conseguir algo para você? Diz Roberto. - Roberto! Preciso me alimentar! Tomado por uma força estranha, Roberto pega a mesma adaga e totalmente descontrolado, faz um corte profundo em sua própria garganta, caindo imediatamente ao solo! Neste instante, um vento gelado sopra no ambiente! Roberto ainda tem tempo de ver um homem muito bem vestido parado a sua frente antes de falecer! O Homem deixa o local gargalhando, enquanto Roberto o observava de dentro do velho carrilhão! De lá, podia ver também seu corpo caído no chão da sala! Do lado de fora da mansão, parado na esquina da rua, Gaspar vê quando o homem estranho sai caminhando no sentido oposto e some na escuridão da noite. Gaspar apenas lamenta. Em seus pensamentos a única coisa que passava era... Aconteceu de novo! Gaspar entra em seu automóvel e vai embora! Fim

Passeio Noturno
São Paulo, sem dúvida nehuma é um dos lugares mais interessantes e intrigantes que eu conheci. Uma cidade agitada desde as primeiras horas da manhã até o inicio da madruda seguinte. Gosto de ver como as pessoas caminham pelo centro velo, quase que se trombando, umas nas outras. O barulhos dos automoveis, o que para muitos é perturbador, para mim soa como música.
Sempre gostei de agitação e balburdia. Nunca fui daqueles que prefere as coisas calmas, quase parando. Tudo isso e ainda consigo encontrar locais como praças arborizadas que misturam-se a paisagem caótica e urbana da metrópole.
Gosto mais ainda quando se aproxima os finais de semana, quandos os bares da cidade ficam entupidos de pessoas, gente muito bonita e bem vestida. Muito parecido com os melhores lugares do mundo, e olha que sou bem viajado. Claro que alguns amigos meus preferem a Paris da Belle Époque, mas como já disse, prefiro este jeitão mais urbano e transloucado daqui.
As vezes fico da sacada de meu apartamento, aliás um belíssimo, antigo, mas belíssimo apartamento aqui na região central, observando a todos e por muitas e muitas horas, quando só ai, resolvo sair para meu passeio noturno. O cheiro da noite, aqui, me deixa excitado. Aguça todos os meus sentidos e vendo todas essas pessoas para lá e para cá, aguça também minha fome.
Fome esta, que com o passar de meus longos anos tem aumentado a cada noite! Hoje para melhorar, é mais uma noite de lua cheia, o que torna meu passeio mais interessante do que o normal. Por acaso, já fiquei aqui na sacada por demais tempo. Esta na hora de sair para meu desjejum. Vou atras de uma garota mais jovem para começar! Seu sangue juvenil é bom para revigorar as energias!
Depois, mais tarde, eu termine a noite com uma mulher mais experiente. Estas já possuem um sangue mais encorpado, e me agrada muito terminar a noite com este tipo de iguaria. me deixa saciado até a proxima noite.
Que coincidência! Mal saí de minha morada e já avistei o meu aperitivo! Procurei segui-la enquanto ela caminhava pelas ruas do centro. Sempre do alto dos velhos prédios. Então decidi que era hora de descer e caminha mais próximo dela. Ela era como eu gostava. Linda, jovial, com uma pele branca comos as pequeninas nuvens que se formavam no frio desta noite de inverno. sua boca era carnuda e vermelha como deveria ser o sangue que pulsava em suas veias.
A excitação tomou conta de mim e com a rapidez de um relâmpago, saltei por sobre ela. Como sempre foi tudo muito rapido. Ela nem percebeu o que aconteceu. Só se deu conta doque estava acontecendo quando era tarde demais para esta pobre alma! Ao sorver sua seiva, podia sentir todo o calor de seu corpo. Me deliciava ao ver o medo, o terror e o desespero em seus olhos azuis. seu corpo nem teve muito tempo de tremer e em instantes, seu corpo jazia no chão logo a minha frente. Mas um vampiro como eu, bem experiente e com muitos anos de idade, não sinto remorso pelo meu ato. Afinal, é só mais uma refeição!
Seguindo nosso codigo milenar, a deixei em um beco abandonado e bem escuro, onde com certeza ela só seria encontrada varios dias mais tarde. Um vampiro que se preza, não deixa rastro. Pelo menos rastros recentes nunca!
Agora, com minhas energias totalmente revigoradas, e minha fome parcialmente saciada, é hora de um pouco de diversão! Acho que hoje vou para Pinheiros, talves a faria Lima. Lá tem lugares excelentes e com certeza farei uma otima refeição antes de retornar ao aconchego de meu esquife!
Bom, vos deixo mas em breve voltarei para lhes contar mais um pouco de minhas aventuras. Ou melhor, quem sabe não nos encontremos em uma esquina do centro velho na próxima noite!!!!
Continua...